A indústria puxou o PIB capixaba em 2025

Comente
0 0 7

O crescimento da economia capixaba em 2025 teve um protagonista claro: a indústria. Embora a agropecuária tenha apresentado desempenho expressivo, com expansão de 11,2%, foram a produção de petróleo e de pelotas de minério de ferro que impulsionaram o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do Espírito Santo, que avançou 3,9% no ano.

O resultado reforça uma tendência recente. Pelo segundo ano consecutivo, o Espírito Santo cresceu acima da média nacional. Em 2024, a economia capixaba avançou 3,4%, contra 3,2% do país. Em 2025, a diferença se ampliou: 3,9% no estado, diante de 2,3% no Brasil.

Trata-se, na verdade, de uma retomada. Desde a década de 1970, o Espírito Santo tem apresentado taxas de crescimento superiores às nacionais. Essa trajetória foi interrompida apenas durante a grave crise econômica que atingiu o país entre 2014 e 2018 — período em que o estado foi particularmente afetado pela queda dos preços e produções das commodities petróleo e pelotas de minério de ferro. A paralisação da Samarco em 2015 agravou ainda mais o cenário.

Em 2025, praticamente todos os grandes setores da economia capixaba registraram desempenho positivo. A agropecuária cresceu 11,2%, impulsionada principalmente pelo café, cujas exportações alcançaram 1,4 bilhão de dólares. Outro destaque foi a pimenta-do-reino, com vendas externas de 320 milhões de dólares.

O setor de serviços, cuja participação no PIB beira 60%, também apresentou resultado superior ao nacional: 2,6% no Espírito Santo, contra 1,8% no Brasil.

Mas foi na indústria que a diferença se tornou mais evidente. Enquanto a indústria brasileira cresceu 1,4%, no Espírito Santo o avanço chegou a 5,7%. Além de crescer mais, o setor tem maior peso na economia estadual: responde por cerca de 29% do PIB, acima dos aproximadamente 25% registrados no país.

O impulso decisivo veio da indústria extrativa. No último trimestre do ano, o segmento registrou uma sequência de resultados expressivos. O crescimento acumulado chegou a 11,9% em setembro e encerrou dezembro em 18,3%, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE.

Apesar desse quadro favorável, um ponto de atenção permanece: a indústria de transformação. Responsável por cerca de 11,5% do PIB estadual, o setor registrou queda de 0,8% no acumulado de 2025.

Entre os principais ramos da indústria de transformação, apenas a metalurgia apresentou crescimento, ainda assim modesto, de 1,1%. Os segmentos de alimentos, celulose e rochas ornamentais registraram retração.

A expectativa, contudo, é de mudança no horizonte. A instalação da montadora chinesa GWM em Aracruz pode representar um novo capítulo para a indústria capixaba. Mais do que ampliar a produção, o investimento tem potencial para aumentar a complexidade econômica do estado e fortalecer cadeias produtivas locais.

Se esse movimento se confirmar, o Espírito Santo poderá dar um passo importante: reduzir sua dependência da indústria extrativa e avançar na direção de uma estrutura produtiva mais diversificada.

Discussão

Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a participar!

COMENTAR

Arraste ou cole a imagem
Arraste imagem

ÁUDIO

00:00

VÍDEO

Deixe um comentário

Online: 28Visitas Totais: 585519Views no Post: 7